Para os amantes das aves, bem como dos prazeres do vinho e da comida, o Alentejo em novembro é um paraíso escondido.
Com a chegada dos primeiros frios outonais chegam os grous, aos milhares, para invernar no Alentejo. Juntam-se às abetardas, ao cortiçol de barriga negra e aos milhafres reais que, numerosos, planam pelos céus dos campos alentejanos. A águia imperial ibérica é também a rainha da estepe e constitui aqui, com a população espanhola nas proximidades, o melhor local do planeta para a sua observação.
Em novembro temos também a degustação do vinho novo, e no Alentejo é fundamental conhecer os vinhos da talha, processo de vinificação deixado pelos romanos, que subsistiu até aos dias de hoje em adegas artesanais de pequena produção. No Alentejo rural o vinho muitas vezes bebe-se ao balcão, acompanhado do petisco e da boa conversa com quem aparecer. O que lá aparece também é o canto alentejano, património da humanidade, canto coral com uma tonalidade que parece saída do fundo da terra e nos fala da vida dos trabalhadores rurais do campo alentejano. Ir ao Alentejo nesta época é também conhecer as comidas quentes, as açordas, espécie de sopas onde pontifica o pão, o bacalhau, e as ervas aromáticas, bem como os cozidos de grão bem temperados pelos enchidos tradicionais e que muito agradecem a companhia do vinho.
Em 5 dias iremos conhecer os principais locais de observação de aves ao sul do Tejo, as planícies de Mourão e Castro Verde onde veremos os grous e as abetardas, também o isolado castelo de Noudar e o seu bosque de azinheiras bem preservado onde habitam as aves do “montado” e os abutres, grifo e abutre preto. Não faltaremos ao incontornável Parque Natural do Vale do Guadiana, território da águia imperial ibérica, da águia de Bonelli e do lince ibérico.
No regresso a Lisboa visitaremos as lagoas litorais de Santo André e a Reserva Natural do Estuário do Sado onde milhares de aves aquáticas e limícolas passam o inverno.
Em 5 dias veremos facilmente mais de 100 espécies de aves e conheceremos melhor o Alentejo, região portuguesa com uma forte identidade e onde poderemos aliar o prazer de observar aves e fruir a natureza, à experiência de conhecer um território de cultura ainda muito rural, ímpar no continente europeu, e à degustação de um património gastronómico e vínico sem igual.